Câmara Legislativa debate medidas para reforçar finanças do Banco de Brasília





A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recebeu, nesta segunda-feira (2), o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, para prestar esclarecimentos sobre o Projeto de Lei nº 2175/2026, de autoria do Poder Executivo, que propõe medidas para recompor as condições econômico-financeiras da instituição. A reunião, iniciada pela manhã, se estendeu até a noite e contou com a participação de parlamentares de diversos partidos.


Também estiveram presentes o procurador-geral do Distrito Federal, Márcio Wanderley de Azevedo, e o secretário de Economia, Daniel Izaias de Carvalho.


Encaminhado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), o texto autoriza ações voltadas ao reforço do patrimônio e da liquidez do BRB. Entre as medidas previstas estão a contratação de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a alienação ou utilização econômica de bens públicos como garantia, além da realização de operações de securitização e da constituição de fundos de investimento. O projeto também relaciona imóveis que poderão ser alienados.


O presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz, afirmou que, apesar de ainda não haver “conforto necessário” para a votação da matéria, o encontro foi importante para esclarecer pontos da proposta. Segundo ele, o objetivo central é assegurar a continuidade da instituição. “Nós temos um objetivo principal: salvar o banco, que é um patrimônio de todos nós, moradores do Distrito Federal. No decorrer das discussões, serão apresentadas emendas para que possamos aprimorar o projeto e dar a tranquilidade que a população precisa”, declarou.


Parte dos distritais, no entanto, manifestou preocupação com o texto na forma atual. Para o deputado Chico Vigilante, o projeto ainda não apresenta solução definitiva. “O projeto, do jeito que está, não resolve o problema do banco. Precisamos discutir com muito mais profundidade, para encontrarmos uma solução definitiva”, avaliou.


O deputado Joaquim Roriz Neto também defendeu mais esclarecimentos antes que a proposta avance para votação, ressaltando a necessidade de preservar a saúde financeira do BRB. Já a líder do Bloco PSOL/PSB, deputada Dayse Amarilio, questionou os valores envolvidos na iniciativa e cobrou dados detalhados. “Questionamos o presidente do BRB sobre dados que não estão disponíveis, incluindo o total exato que será preciso. Sem isso, fica difícil votar o projeto”, afirmou.


Na mesma linha, a 2ª vice-presidente da Casa, deputada Paula Belmonte, alertou para a necessidade de cautela. “O que nós estamos vendo é uma tentativa de dar um cheque em branco com o patrimônio da população de Brasília para cobrir problemas que precisam ser plenamente explicados. Antes de qualquer decisão, é fundamental garantir transparência, responsabilidade fiscal e mudanças reais na governança para que erros não se repitam”, ponderou.


O tema deve voltar à pauta dos parlamentares na reunião de líderes marcada para esta terça-feira (3), quando poderá ser definido o encaminhamento da matéria na Casa.






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