Há risco sistêmico, mas o BRB tem salvação, diz secretário de Economia





O secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, disse que o Banco de Brasília (BRB) tem salvação. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, nessa terça-feira (5/5), o gestor apontou risco ao sistema financeiro em caso de quebra do BRB, mas afirmou que o GDF está “fazendo todos os esforços” para recuperar a instituição financeira.



Segundo Valdivino, é “prioridade zero” do governo encontrar saída para a crise pela qual passa o BRB, de forma que o banco “continue prestando serviços à população de Brasília”.


Sobre o risco de contaminação em caso de quebra do BRB, Valdivino disse que “o sistema financeiro é como se fosse um dominó encarrilhado”. Quando cai uma pedra, respinga em quase todo dominó. É como se fosse uma queda sucessiva. A gente sabe que o mercado financeiro é volátil, está sempre sujeito a riscos. Não deixa de ser o BRB um risco para o mercado financeiro”, declarou na entrevista.


“E não deixa de ser, também, uma calamidade social Brasília não ter o BRB. Transporte público depende do BRB, a saúde depende do BRB. Nós temos servidores públicos que recebem pelo BRB, que têm consignados. Isso que o ministro falou está presente no nosso pleito: a situação do BRB representa grande risco para o sistema financeiro e para o equilíbrio social e econômico para o Distrito Federal”, afirmou o secretário, em referência à declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que o Tesouro só vai interferir no BRB em caso de risco sistêmico. Confira a entrevista completa:



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Valdivino de Oliveira afirmou que a “prioridade zero” do governo é recuperar o BRB
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Valdivino de Oliveira afirmou que a “prioridade zero” do governo é recuperar o BRB

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O secretário ressaltou que a ideia é
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O secretário ressaltou que a ideia é "devolver o BRB saudável" à população

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Segundo o gestor, o planejamento é no sentido de que o governo federal garanta o aval para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões
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Segundo o gestor, o planejamento é no sentido de que o governo federal garanta o aval para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões

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Mesmo assim, outras alternativas são analisadas, como a securitização das dívidas ativas
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Mesmo assim, outras alternativas são analisadas, como a securitização das dívidas ativas

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Aval para empréstimo


O secretário disse que o GDF ainda aguarda o aval do governo federal para a garantia de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que seria destinado para cobrir o prejuízo do BRB. Segundo o secretário, se a garantia fosse dada hoje, amanhã o dinheiro estaria liberado.


“O Tesouro Nacional presta esse aval a todos os entes subnacionais, estados e municípios que buscam operações de crédito. Mas estamos passando um momento difícil, pois a nossa Capag (capacidade de pagamento) está baixíssima”, alertou.

O secretário de Economia ressaltou que, de todos os avais que o Tesouro Nacional concede aos entes subnacionais, municípios e estados, o mais confortável é o do GDF.


“Embora não tenhamos a melhor Capag, temos a maior parcela de recursos para receber do Tesouro Nacional. Então, amanhã, se o GDF ficar inadimplente com uma operação dessa natureza, o Tesouro Nacional não teria prejuízo nenhum, porque ele tem nossos recursos na mão”, explicou.



Desempenho “pífio”


Valdivino afirmou que um dos motivos que dificultam a negociação com o governo federal é o rebaixamento da Capacidade de Pagamento (Capag) de A para C. De acordo com ele, isso é fruto de uma gestão fiscal que, nos últimos dois anos, foi “pífia, ruim e desequilibrada”.


“Em 2024 e, principalmente, 2025, o desempenho fiscal do GDF foi desequilibrado, pífio e, com isso, há essa dificuldade maior do aval do Tesouro Nacional para esta operação”, avaliou.



Outras alternativas


De acordo com o gestor, caso a resposta seja negativa, há alternativas para capitalizar a instituição financeira. “Nós estamos tocando grandes projetos para resolver o problema definitivo do BRB”, afirmou.


Projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa (CLDF) em março permitiu ao GDF utilizar imóveis públicos como garantia, lembrou Valdivino. “Só que o mercado financeiro não é simpático a garantias com recursos imobiliários, e estamos, então, buscando outras alternativas”, ponderou.


O secretário destacou a securitização da dívida ativa. A ideia é utilizar certificados de dívida e transformá-los em papéis para captar recursos com o mercado financeiro, por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).


“Isso vai criar um fundo de financiamento de direitos creditórios, no qual o mercado costuma aplicar. E esse dinheiro é do Tesouro. Seria um recurso extra e, com ele, podemos dar um socorro ao BRB”, esclareceu.

Outra medida que tem sido liderada pelo BRB é a venda dos ativos oriundos do Banco Master, que são considerados saudáveis. No dia 20 de abril, o banco anunciou que firmou memorando de entendimento com a Quadra Capital para estruturação do fundo de investimento por meio do qual irá vender os ativos que adquiriu em operações com o Banco Master.


Segundo o BRB informou, o negócio tem valor de referência de R$ 15 bilhões. Uma parcela de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões será paga à vista. A outra parcela de até R$ 12 bilhões será quitada por meio de cotas subordinadas do fundo criado para gestão e monetização dos ativos.



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