Descoberto há 130 anos, raio-X continua revolucionando a medicina

Descoberto há 130 anos, raio-X continua revolucionando a medicina

Descoberto há 130 anos, raio-X continua revolucionando a medicina

Avanços tecnológicos no raio-X reduziram a radiação, aceleraram os exames e abriram caminho para tratamentos minimamente invasivos

O raio-X faz parte da rotina da medicina há mais de um século. Presente de pronto-socorros a centros especializados, ele continua sendo um dos exames mais utilizados para identificar fraturas, doenças pulmonares e uma série de outras condições. Desde sua descoberta, porém, a tecnologia passou por uma transformação que vai muito além de produzir imagens mais nítidas.

Ao longo das décadas, os equipamentos ficaram mais rápidos, seguros e precisos, abriram caminho para exames como a tomografia computadorizada e hoje permitem que médicos realizem procedimentos complexos por pequenas punções na pele, guiados por imagens em tempo real.

Se no passado a máquina era gigantesca, hoje é portátil para ser transportada a locais de difícil acesso, funciona à bateria e já foi até dar uma voltinha na órbita da Terra.

Tudo começou em 8 de novembro de 1895, quando o físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen percebeu, por acaso, que uma tela fluorescente brilhava mesmo estando a alguns metros de um tubo de Crookes (tubo de vidro cheio de gás rarefeito e com um eletrodo negativo) coberto por papelão preto.

O fenômeno revelou a existência de um tipo de radiação até então desconhecido, que recebeu o nome de raios X.

Os primeiros aparelhos eram muito diferentes dos atuais. As imagens eram registradas em placas fotográficas de vidro, os tubos funcionavam de forma instável e os exames podiam levar de 15 a 90 minutos. A famosa radiografia da mão de Anna Bertha, esposa de Röntgen, por exemplo, exigiu cerca de 20 minutos de exposição.

“No início, praticamente toda a radiação era absorvida pela pele sem contribuir para a formação da imagem. Além disso, a radiografia era apenas uma projeção bidimensional, uma sombra das estruturas internas do corpo”, explica Rodrigo Gobbo, diretor do Departamento de Oncologia da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice).

No Brasil, o primeiro exame radiológico foi realizado em 1896, mas pesquisadores ainda não chegaram a um consenso sobre se o teste foi feito antes em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará ou Bahia.

A evolução dos equipamentos acompanhou os avanços da própria medicina. No início do século 20, os chamados tubos de Coolidge passaram a produzir raios-X de forma mais estável, tornando os exames mais padronizados e confiáveis.

Depois vieram os intensificadores de imagem, que permitiram acompanhar procedimentos em tempo real por meio da fluoroscopia, uma espécie de “raio-X em movimento”. Mais tarde, a radiologia digital substituiu gradualmente os antigos filmes radiográficos, facilitando o armazenamento, o compartilhamento e a análise das imagens no computador.

A década de 1970 trouxe outra mudança importante com a chegada da tomografia computadorizada. Em vez de gerar apenas uma imagem plana, como ocorre na radiografia convencional, o exame passou a produzir cortes detalhados do corpo, permitindo visualizar órgãos e tecidos com muito mais precisão.

Poucos anos depois, a ressonância magnética ampliou ainda mais essa capacidade ao oferecer imagens detalhadas de músculos, ligamentos, cérebro e outros tecidos moles sem utilizar radiação ionizante.

“A qualidade das imagens aumentou de forma extraordinária. Hoje, conseguimos visualizar estruturas muito pequenas, identificar lesões precocemente e reconstruir órgãos inteiros em três dimensões com altíssima definição”, afirma o médico radiologista Lucas Moretti, presidente da Sobrice.

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